Estoriando – Receita de Roteiro

Seja para “one-shots” ou para campanhas mais longas, depois que aprendi estes passos simples, idéias não mais faltaram! Às vezes um jogador fura, e o grupo já está ali, pronto para ação. Às vezes uma campanha se encerra e o colega responsável pelo próximo arco pediu um tempo para terminar de acertar uns detalhes.

Não importa o caso, desde que você tenha dedicado alguns minutos para visualizar a história que quer contar, estes passos o ajudarão a traçar um roteiro consistente, enquanto os jogadores ficam responsabilizados por injetar os detalhes durante o jogo.

A fonte de inspiração para este artigo é uma seção dedicada a narradores no livro de Changelling the Lost, da White Wolf. Obviamente, o texto original é bem mais completo e complexo, mas o que compartilho a seguir é o que escolhi como útil em meio a todo o blá-blá-blá.

PRIMEIRO PASSO – COMEÇO e FIM

Seguindo este esquema, a primeira coisa que você precisa definir de antemão é como imagina sua trama começando e terminando. Imagine a cena introdutória, aquela que geralmente é usada para que os jogadores apresentem seus personagens ou tenham a oportunidade de ganhar familiaridade prática com estes. Caso seja parte de uma campanha já iniciada, esta cena é a que “tira os personagens das férias”, reintroduzindo-os à ação.

Estabeleça uma pequena lista com, digamos, 5 etapas. Registre a parte introdutória de forma objetiva e resumida no primeiro ponto, e lá no último ponto, coloque uma cena que possa fechar com chave de ouro esta sua aventura. É muito importante que se resista a tentação de escrever demais; procure sintetizar a essência da cena em uma única e direta frase.

Como exemplo, vamos assumir que tenha ficado definido que os personagens são moradores de um mesmo vilarejo medieval (ou de um vizinho) que começam a registrar desaparecimentos de jovens camponeses nos arredores. As evidências apontam para um ataque animal, mas as marcas encontradas deixam mais perguntas que respostas.

  • Os personagens decidem investigar por conta própria os locais dos desaparecimentos.
  •  
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  • Os personagens vencem o líder do grupo, resgatando os poucos sobreviventes do cativeiro e desmantelando a seita.

SEGUNDO PASSO – PREENCHENDO LACUNAS

O próximo passo é o que torna tudo mais interessante, e é também aqui que a trama ganha consistência. O truque é super simples: você vai pegar uma única palavra da última frase e usá-la numa frase anterior. A única exigência é que precisa ser qualquer palavra significativa. Não se preocupe em planejar a palavra mais sofisticada. Pegue qualquer uma e trabalhe em cima dela.

Depois disso, pegue uma palavra (diferente desta vez) da frase que acabou de escrever e utilize-a num nova frase anterior. Continuando nosso exemplo:

  • Os personagens decidem investigar por conta própria os locais dos desaparecimentos.
  • Após colher alguns indícios, os personagens buscam apoio das comunidades para organizar grupos de buscas nos locais arredores, mas a população em geral está com medo.
  • Durante as buscas, o grupo de depara com um fugitivo, moribundo, que delira sobre a caverna em que estava preso.
  • Após enfrentar algumas criaturas semi-humanas na floresta, o grupo segue um fugitivo até um lugar que parece ser o cativeiro.
  • Os personagens vencem o líder do grupo, resgatando os poucos sobreviventes do cativeiro e desmantelando a seita.

TERCEIRO PASSO – ESTRUTURANDO

Os 5 passos sugeridos são apenas exemplos pro propósito deste artigo. Cada um destes pontos é responsável por uma etapa da sua trama: no caso de uma aventura rápida, resolvida em uma única sessão, considere que cada ponto representa uma cena; no caso de uma campanha curta, cada ponto pode representar uma sessão inteira.

Ou seja, tendo uma boa noção da duração da aventura, é possível ajustar os pontos de acordo. E ainda, não há uma regra fixa sobre usar apenas 1 ponto por sessão, ok? Siga o ritmo do grupo e adapte o que for preciso.

Tendo esta boa noção da estrutura básica de sua trama – sua duração e principais pontos – é hora de rascunhar alguns nomes e talvez até uma linha cronológica com os eventos que antecederam o primeiro ponto de sua lista. Se tudo correr direitinho, os jogadores assumirão a responsabilidade de interpretar os eventos de forma a, mesmo sem saber, estarem escrevendo a história para você.

QUARTO PASSO – QUESTÕES

Por fim, estude seu roteiro básico e rascunhe algumas perguntas simples sobre cada um dos pontos. Isto lhe dará mais noção de profundidade e propósito, e com sorte você terá elementos para usar caso os jogadores estejam pouco inspirados, servindo também como ponto de motivação.

Por exemplo, para o primeiro ponto de nosso exemplo, você poderia abrir perguntas como “os desaparecidos tem relação direta com os personagens?” e para o ponto final, perguntas como “o que os membros da seita que fugiram irão fazer em seguida”? podem deixar uma ponta solta que serviria de gancho para uma eventual ou providencial continuação.

CONCLUINDO

Embora talvez este processo não seja forte o bastante para lhe proporcionar rotineiros dignos de Hollywood, ele funciona muito bem para improvisos ou como ponto de partida para tramas mais complexas. Como dizem por aí, o importante é começar, certo?

Bom jogo!

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