Diário de Design – O Lado Sombrio: playtests & ajustes

Este é só um post rápido para dar alguma notícia sobre O Lado Sombrio.

Em Dezembro passado eu compartilhei o primeiro rascunho das regras “cruas” para OLS, um breve documento cobrindo apenas a mecânica básica do jogo, sem qualquer detalhe sobre a ambientação nem sobre o uso de poderes. Fiz por dois motivos: primeiro porque enxerguei um grande potencial no sistema para cobrir uma série de possibilidades narrativas (como mencionei na época, eu estava usando cenários do Mundo das Trevas para mortais como palco para os playtests), e segundo porque minha empolgação me instigou a mostrar o que já estava no papel na esperança de que as pessoas que tivessem acesso ao documento viessem comentar o que estava bom e o que precisaria ser repensado (o que não aconteceu).

Com o passar dos meses, consegui amadurecer o jogo de forma substancial – visto que as sessões de teste vêm tendo um intervalo razoável entre si, isto me dá folga suficiente para rever conceitos e regras – e várias coisas mudaram. Por exemplo, quando a inspiração para OLS me fisgou, eu queria um cenário com superseres, semi-deuses caminhando entre meros mortais, dotados de poderes espetaculares, mas que escondiam um grande fardo, os efeitos colaterais psicológicos consequentes de cada um de seus poderes.

Hoje, esta premissa foi simplificada: os para-humanos são pessoas comuns, como eu e você, mas que possuem um lado negro sobrenatural que lhes permite driblar as leis da física e realizar feitos sobrenaturais. A pegadinha é que é apenas esse lado obscuro – uma versão turbinada do pior em sua natureza – quem tem acesso aos poderes, e toda vez que escolhe usar um poder o personagem está gradualmente “alimentando” sua fera. Uma hora ela vai ter força suficiente pra assumir o controle.

Em termos de regras, tudo foi simplificado também: personagens são definidos por suas Motivações (são 10 no total, priorizadas hierarquicamente de acordo com a personalidade do personagem), seus Destaques (características descritivas que representam Antecedentes, Princípios e Talentos), suas Reservas (pontos que servem como baterias para turbinar algumas ações e resistir a problemas), e seus Poderes.

Quando um conflito precisa ser resolvido, os jogadores envolvidos montam suas pilhas de dados, geralmente variando entre 2 e 5 dados (D6), e buscam por sequências numéricas (qualquer sequência serve, mesmo com apenas 2 números). Se uma sequência aparecer, isto significa que o conflito segue favoravelmente para aquele personagem; caso contrário, as coisas vão mal. Além disto, quando um número cair repetido isto significa que o efeito fica mais forte – tanto positiva quanto negativamente. Há outros pormenores, e o jogo é fortemente focado na narrativa, mas isto já cobre a resolução básica.

As regras para poderes são intencionalmente desenhadas para estimular o uso das habilidades sobrenaturais para resolver complicações. De cara, os jogadores percebem que usar poderes é praticamente garantir o sucesso no que quer que estejam fazendo, mas sabem que esta regalia tem um preço.

No que diz respeito à ambientação, eu tomei um rumo um pouco ousado. É muito comum em cenários com supers que o mundo como um todo reaja a sua existência de forma universal: os supers serão temidos ou aceitos, viverão na clandestinidade ou serão celebridades, farão parte da elite da sociedade ou serão sempre forasteiros. Olhando pro mapa, eu decidi que cada continente reagirá aos para-humanos de forma particular, tentando seguir uma tendência natural. Assim, eu fiz uma pequena lista de possibilidades para cada lugar, traçando um perfil em potencial, e deixei o resto em aberto. O plano é narrar um arco de histórias para cada continente com meu grupo de testes, sendo que usarão personagens diferentes em cada arco, e tornar os frutos destas sessões em dados oficiais para o cenário.

Este primeiro arco está situado na América do Norte, e por enquanto a trama vem cobrindo EUA e Canadá. Quando acabarmos com esta fase, eu posto o dossiê América do Norte, e parto para a América do Sul. Neste meio tempo, vou terminando de atualizar o documento com as regras (incluindo os poderes), e volto a disponibilizá-lo assim que estiver satisfeito.

Então, para finalizar esta atualização, o plano é o seguinte: vou colocar todas as regras do jogo num documento só, e vou postando as informações sobre o cenário aqui mesmo no blog. Assim, grupos interessados podem utilizar as regras em seus próprios cenários e contribuir com o desenvolvimento do cenário oficial ao compartilhar o que acontece em suas versões.

Qualquer dúvida, pedido, comentário ou sugestão, é só deixar nos comentários.

Um abraço, e bons jogos!

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