O Lado Sombrio: Playtest – Primeira Sessão

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Como já mencionei, optei por desenvolver o cenário para O Lado Sombrio com base nos frutos das sessões de jogo durante a fase de testes para as regras. Cada continente/setor terá seu próprio arco se histórias, com os jogadores usando personagens diferentes a cada arco.

Como demorei bastante para por no papel o que já foi desenrolado até aqui (no decorrer de 5 sessões), achei por bem dividir os relatórios em etapas, começando hoje pelo que criamos na primeira sessão, e nos próximos dias vou postando as demais partes.

Nesta primeira sessão, conversamos sobre as mudanças de realidade, debatemos o perfil de cada região, e selecionamos nosso ponto de partida: a América do Norte. O texto a seguir descreve tudo aquilo que os jogadores aprenderam sobre o lugar onde a história começa, e fechamos a sessão com a criação dos personagens.

Primeira Sessão

Há 10 anos, o mundo mudou. Profecias ancestrais alertavam para o fim do mundo ao final de 2012, o que de fato ocorreu. Porém, ao invés de um apocalipse com chuvas de lava e variados desastres naturais, nosso fim foi silencioso, repentino e fulminante. Mas talvez o termo “fim” não seja exatamente apropriado, afinal, continuamos aqui. Ainda assim, o mundo de hoje é significativamente diferente, embora plenamente reconhecível. Naquele final de 2012, um clarão como jamais visto cobriu toda nossa órbita, paralisando cada indivíduo no planeta simultaneamente, e mudando-os para sempre.

Ninguém saiu incólume daquele evento. Muitas pessoas mudaram psicologicamente; aquela sensação de impotência, de escaneamento, de ignorância, resultou em segmentos inteiros da população mundial manifestando fortes tendências paranoicas. Muitas famílias perderam entes queridos na ocasião, visto que o mundo inteiro perdeu o controle sobre os próprios movimentos por cerca de 10 minutos, e muitas pessoas se encontravam em meio a circunstâncias que exigissem sua total concentração (no trânsito, em centros cirúrgicos, em construções, etc).

Alguns indivíduos, porém, mudaram bem mais que outros, e dias após o incidente, enquanto as autoridades mundiais ainda tentavam entender e explicar o ocorrido, registros de pessoas manifestando capacidade impossíveis começam a ganhar espaço na mídia – formal e informal – e as reações públicas e governamentais foram as mais diversas e extremas: em alguns lugares, como no extremo Oriente, estas pessoas excepcionais foram tratadas como divindades e celebridades; em outros, estes indivíduos foram abordados como ameaças ao bem estar geral e lidados como terroristas.

No decorrer desta primeira década, o mundo inteiro passou por intensas reconfigurações, cada região reagindo e se posicionando de forma particular ao fenômeno da paranormalidade de acordo com suas crenças, culturas, status, oportunismo geopolítico e grau de gerenciamento da paranoia pública.

Após os primeiros anos, muitos para-humanos foram perseguidos tanto pela mídia quanto pelos militares, o que os levou a optar por um estilo de vida mais discreto (em muitos casos). Mas ao contrário do que se pôde deduzir, o real motivo de seu afastamento dos holofotes era um pouco mais íntimo, e bem mais… sinistro: todo para-humano descobre, mais cedo ou mais tarde, que seus poderes fantásticos vêm com um preço, que são bençãos-maldições, e que compartilhar este detalhe com qualquer pessoas comum é assinar a própria sentença e incentivar uma caça às bruxas.

Nossa crônica começa na Grande América, a maior nação do mundo. No decorrer da década de 2010, os antigos Estados Unidos se movimentaram de modo a absorver os territórios do Canadá e México, efetivamente transformando todo o continente norte-americano num único corpo governamental. Apesar da resistência inicial por parte dos agregados, os níveis de paranoia e protecionismo dos EUA atingiram níveis tão absurdos, que houve um momento em que fecharam suas fronteiras aos estrangeiros por vários anos, e decidiram que, ao invés de avanços territoriais graduais ou acordos bilaterais, seria mais efetivo tomar os territórios vizinhos do que fortalecer as defesas nas fronteiras.

As populações canadenses e mexicanas protestaram veemente, mas não tinham força política ou bélica para contestar ou resistir. Quanto ao resto do mundo, cada região enfrentava seus próprios dilemas e polêmicas, de modo que redirecionar recursos e forças seria minar seu próprio poder de controle sobre a situação local. No momento em que os EUA decidiram direcionar todos os seus recursos para defesa doméstica, o resto do mundo preferiu olhar para o outro lado e se preocupar com os próprios problemas.

E esta dedicação a segurança doméstica trouxe mudanças dramáticas a realidade americana. Vastos recursos foram dedicados a tecnologia de monitoramento, envolvendo câmeras espalhadas em praticamente todos os lugares públicos (e alguns lugares privados estratégicos), dotadas de tecnologia de reconhecimento facial e de padrões de movimentação, e até serviços de comunicação (telefonia e internet) foram estatizados e são constantemente monitorados para palavras-chaves e quebras de protocolos privados.

De modo a eliminar inconsistências burocráticas, todos as centenas de agências e departamentos de aplicação da lei foram unificadas: polícias, FBI, CIA, NSA, guardas marítmas e florestais, controle de pesca e caça, serviços de importação e exportação, TODAS agora compõem um único órgão – a Agência de Segurança Nacional (ASN). Os agentes foram convocados a cursos de adaptação e padronização, e como resultado, as taxas de crimes comuns caiu drasticamente: a segurança pública na Grande América é eficiente, extrema, implacável e extremamente protecionista (se alguém age contra o patrimônio ou bem-estar público, é considerado inimigo do estado).

Graças ao novo regime, dedicado a priorizar o bem estar e segurança de todos, os índices de impunidade despencaram, e mesmo os “convertidos” revoltosos se aquietam ao colocar na balança benefícios e sacrifícios. Esta é, mais uma vez, a terra das oportunidades e prosperidade (ou assim tentam nos fazer acreditar).

Os para-humanos americanos são obrigados a integrar o cadastro nacional, que cataloga seus nomes e habilidades especiais, em troca de documentações especiais. Nem todos os para-humanos confidenciam todas as suas habilidades, mas caso sejam flagrados utilizando poderes não discriminados, são tratados como traidores da nação, e executados na primeira oportunidade. Aqueles que optam pela clandestinidade gozam de certa liberdade, mas pagam por isso olhando por sobre os ombros o tempo todo.

Neste ambiente claustrofóbico e idílico, conhecemos nosso elenco, situado inicialmente em Washington D.C..

Mary Ann Blanchett sempre foi diferente, brilhante. Era bem jovem na ocasião do clarão, e seus dons paranormais apenas destacaram seus naipes mais fortes. Dotada de intelecto inumano, coleciona em seu currículo variadas premiações – o que inclui um PhD na área biomédica aos 19 anos e diversas especializações – e é uma voz ativa na comunidade paranormal publicamente reconhecida. Apelidada pela mídia de “Golden Girl”, dedica seu tempo a pesquisas relacionadas ao fenômeno paranormal e aperfeiçoamento genético.

Caleb Whitmore, por outro lado, usa seu intelecto para se opor ao monopólio do governo, mesmo que a partir das sombras. Assumindo a identidade hacker G.HØST9, Caleb usa de sua afinidade sobrenatural com artigos tecnológicos para burlar os apertados protocolos de vigília e proteção do sistema governamental e utiliza seu acesso a informações privilegiadas como moeda. Desnecessário dizer, Caleb está entre os para-humanos clandestinos.

E por fim, Nigel Sarif (que só entrou mesmo na última sessão), que embora seja devidamente registrado perante o governo, optou por manter seu lado paranormal fora de seu currículo quando se candidatou para o setor de TI numa firma jornalística. Desconfiado e reservado, Nigel leva uma rotina fora dos holofotes, totalmente desprendido de âncoras: não tem amigos nem contato com familiares, estando livre de quaisquer amarras para o caso de precisar se deslocar repentinamente – particularmente fácil para aqueles com o dom de se teleportar – sem deixar pontas soltas. Muito disto é proveniente de uma série de sentimentos conflitantes a respeito de seu passado.

No próximo post, a campanha começa pra valer! 

 

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